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Compaixão: estado mental

Uma definição útil de compaixão tem de começar por reconhecer um estado de espírito ou um “estado do coração”. O Budismo define compaixão como um estado mental em que se deseja que os outros possam estar livres de sofrimento. A compaixão está por cima intimamente ligada com o amor, que o Budismo define como um sentimento de apreciação pelos outros – sentir uma espécie de proximidade e afecto pelos outros – e também como um estado mental em que se deseja que os outros sejam felizes. Eu uso a expressão estado mental em vez de emoção aqui porque o Budismo Tibetano não tem uma palavra correspondente para emoção. O Budismo não faz uma distinção clara entre pensamentos e emoções. Do ponto de vista budista, são os nossos pensamentos que originam e sustêm as nossas experiências emocionais. Por exemplo, quando nos sentimos zangados acreditamos que os outros são intrinsecamente desagradáveis e estão a causar o nosso mal estar, tal como quando nos sentimos bem achamos que os outros são inerentemente bons e merecem todo o bem estar. Do ponto de vista da psicologia ocidental, a compaixão é uma emoção, mas eu aqui defino-a sobretudo como um estado mental, para evitar a forma Ocidental dualistica de que uma emoção é oposta à razão. De facto, do ponto de vista Budista, emoções saudáveis como a compaixão são baseadas em pensamentos racionais válidas e sensatos acerca de nós próprios e dos outros, enquanto que as emoções negativas como o ódio ou a ansiedade são baseadas em pensamentos confusos e imprecisos. É por isto que o Budismo reconhece a sabedoria e a compaixão como muito correlacionadas; há medida que desenvolvemos um tipo de sabedoria que percebe a realidade de forma correcta, naturalmente tornamo-nos mais compassivos, e há medida que nos tornamos mais compassivos, tornamo-nos também naturalmente mais sábios e possuídores de uma abordagem mais razoável em relação à nossa vida.

O objectivo na psicologia Budista de definirmos diferente estados mentais é providenciar-nos uma ajuda à nossa própria introspecção, para ajudarmos as pessoas a avaliarem melhor o conteúdo dos seus corações e a conhecerem-se a si próprias melhor.

The Lost Art of Compassion

Controlo da mente

Actualmente, as pessoas estudam e treinam para se treinarem psicólogos. Mas a ideia do Buda Shakyamuni era a de que todos nos deviamos tornar psicólogos. Cada um de nós deve conhecer a sua própria mente; deve tornar-se o seu próprio psicólogo. E isto é claramente possível; cada um de nós tem a capacidade de entender a sua mente. E quando entendemos a nossa mente, o controlo surge naturalmente. 

The Lost Art of Compassion

Compromisso #1 do Dalai Lama: paz interior

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Abraça alguém hoje

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Mentes saudáveis e felizes

Será que podemos exercitar a nossa mente para nos tornarmos mais felizes, saudáveis e compassivos?

O Dr. Richard Davidson discute a sua pesquisa científica (de renome mundial), para nos provar precisamente isso.

Simples gestos de compaixão

Tanto ênfase é colocado no Budismo no “cultivar da compaixão” que essa pode parecer uma prática esotérica, reservada apenas a seres especiais ou em fases muito avançadas do processo espiritual.

Mas na realidade não o é.

De facto, esta prática pode-nos acompanhar constantemente, nos mais pequenos e simples gestos das nossas vidas diárias: um sorriso, um abraço, uma expressão de interesse ou compreensão.

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Dar é na realidade melhor do que receber

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Será que o gesto de dar realmente promove a felicidade interior?

Pesquisas feitas pela psicóloga social Liz Dunn e publicadas na revista Science demonstraram que o sentimento de felicidade que as pessoas sentem quando gastam relativamente mais com os outros do que consigo próprias, é maior. Numa pesquisa feita com 600 cidadãos dos EUA, Dunn e os seus colegas concluíram que os efeitos positivos sobre o bem estar de gastar dinheiro com os outros, superavam os efeitos de gastar dinheiro consigo próprio, padrão este que foi confirmado para todos os níveis de rendimento. Por outras palavras, mesmo aqueles com menos condições materiais, apresentaram níveis de bem estar mais altos quando a sua proporção de gastos era mais alta com os outros.

Numa outra experiência, Dunn e os seus colegas deram a estudantes da Universidade de British Columbia um envelope contendo dinheiro e disseram-lhes que eles poderiam (1) gastar o dinheiro consigo próprios naquele dia ou então (2) gastá-lo em benefício de outras pessoas. A conclusão foi novamente que aqueles que ofereceram o dinheiro, apresentaram níveis de felicidade superiores aqueles que o gastaram com eles próprios.

Nalguns casos, o envelope continha apenas 5 dólares, noutros casos 20 dólares. O montante era indiferente – os resultados foram semelhantes. Gastarem o dinheiro com outras pessoas fez os estudantes mais felizes do que gastá-lo consigo próprios.

Ironicamente, quando questionados sobre o resultado final do estudo e sobre qual a opção que os deixaria mais felizes, os alunos afirmaram que gastarem o dinheiro consigo próprios os deixaria mais felizes do que gastá-lo com outras pessoas. Em suma, os pressupostos egoístas das pessoas foram confirmados errados, mesmo quando elas próprias tinham a possibilidade de decidirem como iriam gastar o dinheiro.

Além das sólidas conclusões científicas, não é surpreendente ver que muitos dos mais proeminentenes líderes sociais enfatizam a importância de dar nos seus ensinamentos.

Por exemplo, ao relevar o princípio Budista da interdependência, o Dalai Lama frequentemente ensina que a felicidade de cada um de nós está dependente da felicidade dos outros. No seu livro “Ética para o Novo Milénio”, o Dalai Lama afirma que a felicidade não é originada pela detenção de certos bens materiais que consideramos essenciais, mas sim por uma preocupação profunda e genuína com a felicidade dos outros. Aliás o Dalai Lama afirma que o enfoque nas nossas necessidades individuais, em vez de nas dos outros, resulta em emoções negativas que impedem um verdadeiro sentimento de bem-estar.

Igualmente, uma das minhas citações favoritas de Mahatma Gandhi em relação ao auto-conhecimento é: “A melhor de forma de nos encontrarmos a nós próprios é perdermo-nos ao serviço dos outros”.

Finalmente o valor do serviço aos outros foi um dos temas recorrentes nos discursos de Martin Luther King, Jr. Naquela que é considerada a sua melhor intervenção, “The Drum Major Instinct”, Martin Luther King afirma que a grandeza pessoal e o serviço aos outros estão interligados. Num mundo preenchido pelos objectivos egoístas das pessoas e pelos comportamento auto-destrutivos das nações, King afirmou que o desejo de ser o melhor pode ser transformado de um impulso egoísta num instrumento pela justiça, se as pessoas adoptarem o serviço aos outros como o seu objectivo.

Nas suas imponentes palavras, “Todos podem ser grandiosos, porquem todos podem servir os outros”.

King fez este discurso numa Igreja em Atlanta, precisamente aquela onde dois meses depois seria assassinado, enfatizando que ele tinha esperança de simplesmente ser recordado como um homem que tentou ajudar os outros, servir os outros, dar aos outros.

Para alguém que foi um bem-sucedido líder internacional é pungente que, no final, King tenha reconhecido que a afirmação mais poderosa e duradoura acerca da vida de alguém não seja acerca da obtenção de prémios como o Nobel, mas antes o viver uma vida dedicada aos outros.

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