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Confrontar o nosso enviesamento negativo natural (1/2)

A nossa vulnerabilidade para sentirmos medo tem efeitos a muitos níveis, enquanto indivíduos, casais e famílias, mas também nas nossas escolas, organizações e nações. Quer seja um indíviduo que se preocupa sobre as consequências de demonstrar a sua opinião no trabalho ou numa relação, uma família com medo de um membro mais agressivo, um negócio focado apenas com as ameaças que enfrenta em vez das oportunidades que também se lhe apresentam, ou um país a que é anunciado constantemente que está em “alerta vermelho”, é o mesmo cérebro humano que reage em todos os casos.

Portanto, entendermos como o nosso cérebro se tornou tão vigilante e cauteloso, e tão facilmente tomado refém por estes alarmes, é o primeiro passo para ganharmos mais controlo sobre estes “antigos circuitos”.

Depois, ao trazermos uma consciência de atenção plena (“mindfull“) para a forma como o nosso cérebro reage quando se sente ameaçado, podemos estimular e, a partir daí desenvolver, os substratos neuronais de uma mente que é mais calma, sábia e possui um maior força interior. Uma mente que vê as ameaças reais de forma mais precisa, lida com elas de forma mais eficaz e distrai-se menos com exageros e falsos alarmes.

Comecemos com o enviesamento negativo do nossso cérebro. Neste texto, focar-nos-emos em porque é que este enviesamento evolui e como é que ele se solidificou nos nossos cérebros.

Um enviesamento negativo evolutivo

O sistema nervoso humano tem vindo a evoluir desde há 600 milhões de anos, desde simples medusas até aos modernos humanos. Os nossos antepassados tiveram de tomar decisões críticas muitas vezes por dia, nomeadamente aproximarem-se de algo que podia conter uma recompensa ou evitarem um perigo. Ambas são importantes.

Imaginem serem um homnídeo em África há milhões de anos atrás, vivendo numa pequena tribo. Para podermos passar os nossos genes à geração seguinte, temos de encontrar comida, reproduzirmo-nos e cooperar com outros membros para ajudar as crianças da tribo (especialmente as nossas) para que elas também tenham crianças.  Além disso, temos de nos esconder dos predadores, evitar os machos-alfa do nosso grupo e as fêmeas à procura de problemas e não permitir que outras tribos nos eliminem.

Isto significa que nos tornaremos mais alertas para as situações que são mais frequentes e nos colocam em perigo, do que propriamente naquelas em que podemos ser positivamente surpreendidos se decidirmos arriscar.

(continua)

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Neurociência das emoções

A capacidade de reconhecer e trabalhar com diferentes emoções é fundamental para a nossa flexibilidade psicológica e o nosso bem-estar. A neurociência tem contribuído para o entendimento das bases neuronais das emoções, da regulação emocional e da inteligência emocional, assim como tem começado a elucidar-nos sobre os mecanismos no cérebro envolvidos no processamento das emoções. Um tópico de grande interesse é o grau a que estes mecanismos demonstram neuroplasticidade, tanto a nível anatómico, como a nível funcional, algo explorado nesta conversa.

O orador é Phillippe Goldin.

O nível mais profundo da mente

“A grande inovação que o Budismo nos traz não é reconhecer o sofrimento que existe numa vida normal, mas sim relevar o facto de que este não é intrínseco à psique humana. Pesquisas científicas recentes demonstraram que estes estados aflitivos da mente podem ser significativamente reduzidos através da prática.

Mas o Budismo faz uma afirmação ainda mais arrojada: a de que a mente, no seu nível mais profundo, tem uma natureza de luminosidade que está totalmente livre destes estados aflitivos. E essa é uma grande hipótese.

Neste momento ainda não a podemos testar, mas estamos a percorrer esse caminho.”

B. Alan Wallace

Fonte

Mindfulness e o cérebro

O Budismo encontra-se com a neurociência nesta entrevista (aqui um excerto de 10m) entitulada “Mindfulness and the Brain: A Professional Training in the Science and Practice of Meditative Awareness”, protagonizada por Jack Kornfield, PhD e pelo Dr. Daniel J. Siegel.

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