Posts Tagged ‘ Atenção plena ’

Hawn Foundation: Dr. Dan Siegel

Fundada em 2003 pela actriz, produtora e realizadora Goldie Hawn, a “The Hawn Foundation” dedica-se a ajudar crianças ao propiciar-lhes um treino avançado em mindfulness.” 

Nesta entrevista, Dan Siegel descreve os conceitos básicos por detrás das ideias de “neurónios-espelho”, mindfulness (atenção plena) e sobre como podemos começar a moldar o nosso comportamento através de uma prática mindful (atenta).

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O nosso corpo

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Quando correctamente cultivada, a nossa atenção pode discernir, contemplar, transcender e por isso libertar-nos das limitações dos nossos rotineiros padrões de pensamento, dos nossos rotineiros sentimentos, das nossas rotineiras relações e dos dos estados mentais e das emoções frequentemente turbulentas e destrutivas que os acompanham.

Tais hábitos são inevitavelmente condicionados pelo nosso passado, não apenas através da nossa herança genética, mas também através das nossas experiências de trauma, medo, falta de confiança ou ressentimento por injustiças ocorridas no passado. Mas independentemente de tudo isto, estes são hábitos que estreitam a nossa visão das coisas, distorcem o nosso entendimento e que se não forem cuidados, podem impedir o nosso crescimento pessoal e o nosso processo de cura. 

Para que possamos então reencontrar o nosso caminho, tanto individualmente como enquanto espécie, precisamos primeiro de voltar ao nosso corpo, onde os nossos sentimentos e aquilo a que chamamos mente, têm origem. O nosso corpo é aliás algo que nós normalmente ignoramos; podemos até praticamente nem o habitar, quanto mais cuidar dele e honrá-lo… Estranhamento o nosso corpo ė uma paisagem que simultaneamente nos é tanto familiar, como incrivelmente desconhecida. É um domínio que nós às vezes podemos temer ou até mesmo do qual não gostamos, dependendo do nosso passado e daquilo porque passamos ou tememos vir a passar. Outras vezes pode ser algo pelo qual nos sentimos profundamente seduzidos, obcecados com o seu tamanho, forma, peso ou aspecto, correndo o risco de cairmos numa inconsciente mais interminável auto-preocupação e mesmo narcisismo. 

Jon Kabat-Zinn, Coming to our Senses – Healing Ourselves and the World Through Mindfulness

Evidências científicas dos benefícios da meditação

Vários estudos têm demonstrado que uma prática regular de meditação pode ajudar a aliviar sintomas em pessoas que sofrem de dores crónicas, mas os mecanismos neuronais por detrás desse alivio não eram até agora claros. Cientistas do MIT e de Harvard encontraram um possível explicação para este fenómeno.

Num estudo publicado online no Jornal “Brain Research Bulletin“, cientistas descobriram que as pessoas treinadas para meditar durante um período de 8 semanas eram mais capazes de controlar um tipo específico de ondas cerebrais denominadas “alpha rhythms“.

Estes padrões de actividade minimizam distracções, diminuem a probabilidade de um qualquer estímulo apanhar a nossa atenção“, conta Christopher Moore, um neuro cientista do MIT e autor do estudo. “Os nossos dados indicam que o treino meditativo nos ajuda a nos concentrarmos, em parte por nos ajudar a regular melhor como é que os eventos que se desenrolam nos impactam.“.

Existem vários tipos de ondas cerebrais que ajudam a regular o fluxo de informação entre células cerebrais, da mesma forma que as estações de rádio difundem as suas emissões em frequências específicas. As ondas alfa, o objecto central deste estudo, fluem entre células no córtex cerebral, onda a informação sensorial é processada. Estas ondas alfa ajudam a suprimir informação sensorial irrelevante ou que nos distrai.

Um estudo de 1966 demonstrou que um grupo de monges Budistas que meditava regularmente tinham alpha rhythms elevados em todo o seu cérebro. Neste novo estudo, os cientistas estudaram o papel destas ondas numa parte específica do cérebro – nas células do córtex sensorial que processa a informação táctil que recebemos das nossas mãos e pés.

Para este estudo, os cientistas recrutaram 12 voluntários que nunca tinham meditado antes. Metade dos participantes foram treinados numa técnica chamada mindfulness-based stress reduction (MSBR) durante um período de 8 semanas, enquanto que a outra metade foi instruída a não meditar.

O programa MBSR implica uma prática de 45m por dia, depois de uma sessão inicial de 2h30. Os voluntários ouviram gravações em CDs que os guiavam durante as sessões.

As primeiras duas semanas são dedicadas a aprender a prestar mais atenção às sensações corporais. “Eles aprendem a manter e controlar a sua atenção durante a primeira parte do curso. Por exemplo, aprendem a manter a sua atenção na sensação da respiração; também aprender a manter a sua atenção de forma sustentada sobre sensações corporais numa parte específica do seu corpo, tal como a planta dos pés, e de seguida praticam mudar o focus da sua atenção para uma outra zona do seu corpo,” diz Catherine Kerr, uma professora da Harvard Medical School e autora do estudo.

Os cientistas fizeram scans cerebrais do voluntários antes do estudo começar, três semanas depois dele começar e no final de 8 semanas. No final deste período, os voluntários que tinham tido treino em meditação mostravam maiores alterações no tamanho (amplitude) destas ondas cerebrais, quando pedidos para focarem a sua atenção numa dada zona do seu corpo – por exemplo, no seu pé esquerdo. “Estas mudanças no tamanho das ondas cerebrais também ocorriam mais depressa nos meditadores.

Este estudo é uma “bela demonstração” dos efeitos do treino em meditação, e da capacidade de cultivar uma atenção interna nas sensações corporais, diz Clifford Saron um cientista do Center for Mind and Brain da Universidade da California em Davis, que não esteve envolvido no estudo.

Os voluntários deste estudo não sofriam de dores crónicas, mas as descobertas sugerem que naqueles que de facto sofrem de dores crónicas, os efeitos benéficos poderão vir da capacidade de basicamente baixar o volume dos sinais da dor. “Eles aprendem a estarem atentos a onde a sua atenção está focada e não ficam presos na zona onde estão a sentir a dor,” diz Kerr.

Os voluntários que meditaram também mencionaram sentir menos stress do que os não-meditadores. “A sua condição objectiva pode não ter mudado, mas eles agora não são tão re-activos a ela“, diz Kerr. “São mais capazes de gerirem o seu stress.

Artigo original: http://web.mit.edu/newsoffice/2011/meditation-0505.html

Meditação: controlo da mente?

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É difícil falar da intemporal beleza e riqueza do momento presente quando tudo acontece tão rapidamente hoje em dia. Mas quanto mais rapidamente as coisas acontecem, mais importante se torna habitarmos o intemporal. Caso contrário, podemos perder o contacto com dimensões da nossa humanidade que fazem toda a diferença entre a felicidade e a infelicidade, entre a sabedoria e a ignorância, entre o bem-estar e a confusão constante que acontece na nossa mente, no nosso corpo e no nosso mundo, e a que nos iremos referir como um ‘mal-estar’. Porque este nosso descontentamento é mesmo uma doença, apesar de não nos parecer. Às vezes referimo-nos coloquialmente a este tipo de sentimentos e condições, que são um tipo de ‘descontentamento’, como stress. E estes sentimentos normalmente são dolorosos. Pesam-nos. E implicam sempre um sentimento latente de insatisfação.
(…)
Em 1979 fundei uma Clinica de Redução de Stress. Olhando agora para trás no tempo, penso: “Que stress?” tanto o nosso mundo mudou, tanto se acelerou o ritmo das nossas vidas e tantos perigos aparecem hoje em dia à nossa porta.
(…)
E precisamente o que pretendemos desenvolver na nossa Clínica é permitir que (…) não daqui a muitos anos se finalmente obtenha um sentimento de ter atingido algo de importante, se tenha saboreado a beleza intemporal da atenção meditativa e de tudo o que ela tem para oferecer (levando-nos em ultima análise a levar uma vida muito mais tranquila e satisfatória), mas sim a acedermos a essa intemporalidade neste mesmo instante – porque ela já nos está imediatamente acessível, mesmo debaixo dos nosso nariz, por assim dizer – e ao fazê-lo, ganhar acesso aquelas dimensões do possível que só nos estão neste momento inacessíveis porque nos recusamos a estar presentes, porque estamos seduzidos, entretidos ou assustados com o futuro ou o passado, levados por um conjunto de eventos e pelos padrões típicos das nossas reacções e da nossa dormência, atendendo aquilo a que classificamos de “urgente”, enquanto perdemos o contacto com o que genuinamente é importante, de facto vital para o nosso bem estar, para a nossa sanidade e mesmo para a nossa sobrevivência.

Nós fizemos da nossa absorção constante pelo passado e pelo futuro um hábito tão forte que, a maior parte do tempo, não temos qualquer noção do momento presente. Como tal, podemos sentir que temos muito pouco controlo, se é que algum, sobre os altos e baixos das nossas vidas e das nossas próprias mentes.

Jon Kabat-Zinn, Coming to our Senses – Healing Ourselves and the World Through Mindfulness

Meditação… não é o que tu pensas

O primeiro passo na aventura que é encontrarmo-nos a nós próprios é o cultivar de um tipo de consciência ou atenção especial conhecido como “atenção plena” (ou mindfulness, na expressão original).

A atenção plena é o trajecto final de um caminho comum, que é aliás o que nos torna humanos: a nossa capacidade de estarmos atentos e a nossa capacidade de auto-conhecimento. A atenção plena é cultivada simplesmente por prestarmos atenção, e como veremos, este prestar atenção é refinado através de uma prática chamada ‘meditação de atenção plena’ (mindfulness meditation), que se tem vindo a espalhar rapidamente pelo mundo fora e para a cultura ocidental ‘mainstream’ nos últimos 30 anos, graças em parte a um crescente número de estudos científicos e médicos sobre os seus variados efeitos.

Mas mesmo se apenas ouvindo a palavra meditação, o termo soa demasiado estranho ou simplesmente não para ti por causa das ideias e imagens que te vêm à mente sobre o que a meditação é, considera que – quaisquer que sejam as tuas ideias sobre meditação, e tenham elas sido formadas como tenham – meditação, e em particular a meditação de atenção plena… ‘não é o que tu pensas’.

Jon Kabat-Zinn, Coming to our Senses – Healing Ourselves and the World Through Mindfulness

Mark Williams: Mindfulness

Será que a meditação mindfulness responde a todas as nossas preces? Os benefícios são convincentes: é gratuita, podemos fazê-la em qualquer altura, em qualquer lugar e foi cientificamente demonstrado que funciona. É uma prática reconhecida por aqueles que estão dentro e fora da profissão médica como uma ferramenta útil para melhorar o nosso bem estar mental, assim como para lidarmos com assuntos mais sérios, como a depressão ou distúrbios de ansiedade.

O Professor Mark Williams, uma autoridade em meditação mindfulness, sobe ao púlpito para explorar a ciência por detrás deste fenómeno e olhar para as suas aplicações práticas no nosso dia-a-dia. Ele guia-nos através dos mitos, da realidade e dos benefícios da meditação, analisando como é que tais práticas nos podem ajudar a viver vidas de maior presença, mais produtivas e mais em paz.

Mark Williams é Professor de Psicologia Clínica e Wellcome Principal Research Fellow da Universidade de Oxford. É autor dos best sellers “Mindfulness: A Practical Guide to Finding Peace in a Frantic World” e “‘The Mindful Way through Depression: Freeing yourself from Chronic Unhappiness” (co-autoria com John Teasdale, Zindel Segal e Jon Kabat-Zinn).

Mark Williams: Stress e meditação Mindfulness (atenção plena)

O Professor da Universidade de Oxford Mark Williams fala sobre o stress e o seu impacto nas nossas vidas, a propósito da campanha que está  a decorrer no Reino Unido chamada: “Be Mindful“.

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