Evidências científicas dos benefícios da meditação

Vários estudos têm demonstrado que uma prática regular de meditação pode ajudar a aliviar sintomas em pessoas que sofrem de dores crónicas, mas os mecanismos neuronais por detrás desse alivio não eram até agora claros. Cientistas do MIT e de Harvard encontraram um possível explicação para este fenómeno.

Num estudo publicado online no Jornal “Brain Research Bulletin“, cientistas descobriram que as pessoas treinadas para meditar durante um período de 8 semanas eram mais capazes de controlar um tipo específico de ondas cerebrais denominadas “alpha rhythms“.

Estes padrões de actividade minimizam distracções, diminuem a probabilidade de um qualquer estímulo apanhar a nossa atenção“, conta Christopher Moore, um neuro cientista do MIT e autor do estudo. “Os nossos dados indicam que o treino meditativo nos ajuda a nos concentrarmos, em parte por nos ajudar a regular melhor como é que os eventos que se desenrolam nos impactam.“.

Existem vários tipos de ondas cerebrais que ajudam a regular o fluxo de informação entre células cerebrais, da mesma forma que as estações de rádio difundem as suas emissões em frequências específicas. As ondas alfa, o objecto central deste estudo, fluem entre células no córtex cerebral, onda a informação sensorial é processada. Estas ondas alfa ajudam a suprimir informação sensorial irrelevante ou que nos distrai.

Um estudo de 1966 demonstrou que um grupo de monges Budistas que meditava regularmente tinham alpha rhythms elevados em todo o seu cérebro. Neste novo estudo, os cientistas estudaram o papel destas ondas numa parte específica do cérebro – nas células do córtex sensorial que processa a informação táctil que recebemos das nossas mãos e pés.

Para este estudo, os cientistas recrutaram 12 voluntários que nunca tinham meditado antes. Metade dos participantes foram treinados numa técnica chamada mindfulness-based stress reduction (MSBR) durante um período de 8 semanas, enquanto que a outra metade foi instruída a não meditar.

O programa MBSR implica uma prática de 45m por dia, depois de uma sessão inicial de 2h30. Os voluntários ouviram gravações em CDs que os guiavam durante as sessões.

As primeiras duas semanas são dedicadas a aprender a prestar mais atenção às sensações corporais. “Eles aprendem a manter e controlar a sua atenção durante a primeira parte do curso. Por exemplo, aprendem a manter a sua atenção na sensação da respiração; também aprender a manter a sua atenção de forma sustentada sobre sensações corporais numa parte específica do seu corpo, tal como a planta dos pés, e de seguida praticam mudar o focus da sua atenção para uma outra zona do seu corpo,” diz Catherine Kerr, uma professora da Harvard Medical School e autora do estudo.

Os cientistas fizeram scans cerebrais do voluntários antes do estudo começar, três semanas depois dele começar e no final de 8 semanas. No final deste período, os voluntários que tinham tido treino em meditação mostravam maiores alterações no tamanho (amplitude) destas ondas cerebrais, quando pedidos para focarem a sua atenção numa dada zona do seu corpo – por exemplo, no seu pé esquerdo. “Estas mudanças no tamanho das ondas cerebrais também ocorriam mais depressa nos meditadores.

Este estudo é uma “bela demonstração” dos efeitos do treino em meditação, e da capacidade de cultivar uma atenção interna nas sensações corporais, diz Clifford Saron um cientista do Center for Mind and Brain da Universidade da California em Davis, que não esteve envolvido no estudo.

Os voluntários deste estudo não sofriam de dores crónicas, mas as descobertas sugerem que naqueles que de facto sofrem de dores crónicas, os efeitos benéficos poderão vir da capacidade de basicamente baixar o volume dos sinais da dor. “Eles aprendem a estarem atentos a onde a sua atenção está focada e não ficam presos na zona onde estão a sentir a dor,” diz Kerr.

Os voluntários que meditaram também mencionaram sentir menos stress do que os não-meditadores. “A sua condição objectiva pode não ter mudado, mas eles agora não são tão re-activos a ela“, diz Kerr. “São mais capazes de gerirem o seu stress.

Artigo original: http://web.mit.edu/newsoffice/2011/meditation-0505.html

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