Meditação: controlo da mente?

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É difícil falar da intemporal beleza e riqueza do momento presente quando tudo acontece tão rapidamente hoje em dia. Mas quanto mais rapidamente as coisas acontecem, mais importante se torna habitarmos o intemporal. Caso contrário, podemos perder o contacto com dimensões da nossa humanidade que fazem toda a diferença entre a felicidade e a infelicidade, entre a sabedoria e a ignorância, entre o bem-estar e a confusão constante que acontece na nossa mente, no nosso corpo e no nosso mundo, e a que nos iremos referir como um ‘mal-estar’. Porque este nosso descontentamento é mesmo uma doença, apesar de não nos parecer. Às vezes referimo-nos coloquialmente a este tipo de sentimentos e condições, que são um tipo de ‘descontentamento’, como stress. E estes sentimentos normalmente são dolorosos. Pesam-nos. E implicam sempre um sentimento latente de insatisfação.
(…)
Em 1979 fundei uma Clinica de Redução de Stress. Olhando agora para trás no tempo, penso: “Que stress?” tanto o nosso mundo mudou, tanto se acelerou o ritmo das nossas vidas e tantos perigos aparecem hoje em dia à nossa porta.
(…)
E precisamente o que pretendemos desenvolver na nossa Clínica é permitir que (…) não daqui a muitos anos se finalmente obtenha um sentimento de ter atingido algo de importante, se tenha saboreado a beleza intemporal da atenção meditativa e de tudo o que ela tem para oferecer (levando-nos em ultima análise a levar uma vida muito mais tranquila e satisfatória), mas sim a acedermos a essa intemporalidade neste mesmo instante – porque ela já nos está imediatamente acessível, mesmo debaixo dos nosso nariz, por assim dizer – e ao fazê-lo, ganhar acesso aquelas dimensões do possível que só nos estão neste momento inacessíveis porque nos recusamos a estar presentes, porque estamos seduzidos, entretidos ou assustados com o futuro ou o passado, levados por um conjunto de eventos e pelos padrões típicos das nossas reacções e da nossa dormência, atendendo aquilo a que classificamos de “urgente”, enquanto perdemos o contacto com o que genuinamente é importante, de facto vital para o nosso bem estar, para a nossa sanidade e mesmo para a nossa sobrevivência.

Nós fizemos da nossa absorção constante pelo passado e pelo futuro um hábito tão forte que, a maior parte do tempo, não temos qualquer noção do momento presente. Como tal, podemos sentir que temos muito pouco controlo, se é que algum, sobre os altos e baixos das nossas vidas e das nossas próprias mentes.

Jon Kabat-Zinn, Coming to our Senses – Healing Ourselves and the World Through Mindfulness

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