A Natureza deu-nos quatro tipos de felicidade

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A felicidade é um surto neuroquímico e portanto diferentes substâncias químicas produzem diferentes formas de experienciarmos felicidade.

  • Felicidade-endorfina é despoletada pela dor física. A morfina produzida naturalmente pelo corpo disfarça a nossa dor, o que permitiu aos nossos antepassados fugir dos seus predadores mesmo quando estavam magoados. Os humanos experienciam a endorfina como euforia, mas ela obviamente não evoluiu para despoletar um sentimento constante de alegria. Tocariamos fogões quentes e correriamos com uma perna partida se o nosso cérebro estivesse constantemente a libertar endorfinas. É por isso que a Natureza as guarda para os momentos em que elas nos ajudam a fazer o que é necessário para que possamos sobreviver.
  • Felicidade-dopamina é despoletada quando obtemos uma recompensa. Quando vemos uma meta, o nosso cérebro liberta dopamina. É a reserva de energia da natureza. A dopamina mantém-nos na corrida até atingirmos o objectivo que pretendemos, mesmo quando a busca é longa e frustrante. Se estivessemos imersos em dopamina o tempo inteiro, a nossa energia esgotar-se-ia antes de realmente precisarmos dela. Evoluimos por isso para guardarmos a nossa dopamina para aqueles momentos em que um importante objectivo está ao nosso alcance.
  • Felicidade-oxitocina é despoletada quando confiamos naqueles que estão à nossa volta. Ela promove a ligação entre mãe-filho e entre parceiros sexuais. É estimulada quando estamos com um grupo de pessoas que pensa da mesma forma que nós, ou quando recebemos uma massagem. Mas nós não evoluímos para sentir felicidade-oxitocina a todo o momento, porque não existe nenhuma vantagem para a nossa sobrevivência em confiarmos em pessoas que não são de confiança.
  • Felicidade-serotonina é despoletada quando nos sentimos importantes. Os animais libertam serotonina quando dominam um recurso. A sua serotonina cai quando eles cedem um activo para evitar o conflito. Ser “o maior” faz-nos sentir bem, mas o conflito pode causar lesões. O cérebro está por isso constantemente a analisar informação para balancear o risco da potencial dor num conflito… contra a satisfação da vitória.

Cada um dos químicos da felicidade evoluíu para uma tarefa específica. Eles trabalham fazendo-nos sentir bem, o que nos motiva para ir atrás dos objectivos que despoletaram cada um deles. Nós herdamos um cérebro que nos motiva para perseguirmos aquilo que promove a manutenação do nosso DNA.

Às vezes porém, “damos de caras” com a felicidade. Quando um macaco acidentalmente vai de encontro a uma árvore cheia de frutos, o seu cérebro inunda-se de dopamina. Isso cria uma memória, o que ajuda o macaco a encontrar a árvore no futuro. Novas recompensas despoletam libertação de dopamina, quer as recompensas tenham vindo por acidente, quer por um esforço sustentado.

Estes químicos da felicidade fazem-nos sentir tão bem, que nós usamos o nosso grande córtex para descobrir como podemos encontrar mais. Os macacos trocam mimos entre si e isso estimula a sua oxitocina. Eles também dominam os seus pares quando acham que podem vencer uma potencial luta e isso estimula a sua serotonina. Investem ainda tempo a brincar com formigas para direccionar o seu trajecto, o que estimula a sua dopamina.

Que se saiba contudo, os macacos não se magoam a si próprios para terem um “high” de endorfina, mas as pessoas fazem todo o tipo de coisas, uma vez que descobrem o que estimula os seus níveis de endorfina, dopamina, oxicitona ou serotonina.

E às vezes funciona.

Mas o cérebro só liberta os químicos da felicidade em doses específicas e com objectivos específicos, não tendo evoluído para os libertar constantemente a todo o tempo. Se os químicos da felicidade fossem libertados constantemente, não poderiam fazer o seu trabalho.

Contudo quando os nossos químicos da felicidade baixam, nós sentimos: “Algo está errado.” Contudo, nada está errado. Os nossos químicos da felicidade evoluíram para estarem presentes e depois deixarem de estar. Mas se dermos atenção a este sentimento de que algo está errado, tal pode preocupar-nos e o nosso córtex cerebral irá procurar no nosso ambiente provas de que algo está, de facto, errado. E encontrará provas que confirmem esse sentimento.

Se esperarmos por isso sentir os químicos da felicidade a todo o momento, iremos sair desapontados. E se nos focarmos nesse desapontamento, iremos estar a preparar o nosso cérebro para ver o mundo através dessa mesma lente.

Por muito que tentemos, não podemos controlar o nosso ambiente de uma forma que nos assegure um fornecimento regular destes químicos. Podemos, alternativamente, apreciar o facto de que eles evoluíram para nos permitir sobreviver, simplesmente apreciando-os… quando eles de facto aparecem.

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