Arquivo de Junho, 2011

O caminho de um Bodhisattva

Se não conseguirmos conquistar o nosso próprio ódio,

Quanto mais combatemos os inimigos externos, mais eles irão crescer,

Portanto, com o exército do amor e da compaixão,

Disciplinar a nossa mente é a prática de um bodhisattva.

Dilgo Khyentse Rinpoche, “The Heart of Compassion: The Thirty-seven Verses on the Practice of a Bodhisattva

108 questões da sabedoria secreta do Tibete

Fonte

Não és feliz com aquilo que tens; achas que aquilo que não tens te vai fazer feliz?

Tulku Lama Lobsang, 108 questões da sabedoria secreta do Tibete

“Como é que se esquece alguém que se ama?” – Um elogio à impermanência

 

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa – como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece?

Devagar.

É preciso esquecer devagar.

Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.

O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma.

A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar.

Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in “Último Volume

Salvador

Não há nenhum Salvador no Budismo.

Tens de o fazer por ti.

Mais ninguém irá meditar por ti.

Roshi Jiyu Kennet


Sogyal Rinpoche: Meditação como uma atenção acrítica

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108 questões da sabedoria secreta do Tibete

Acreditar em algo, ou acreditar que não temos crenças – o que é que faz mais sentido?

Tulku Lama Lobsang, 108 questões da sabedoria secreta do Tibete

Conhecimento

Numa turma de alunos do 4.º ano, o professor pergunta:

– “De que cor são as maçãs?” Os alunos respondem dizendo “vermelhas”, “verdes”, “douradas”… Contudo um dos alunos disse:

– “Brancas”.

– “Não”, respondeu o professor, “não são brancas, não há maçãs brancas”. Mas o aluno insistiu, até que o professor começou a ficar impaciente. Finalmente o rapaz perguntou-lhe:

-“Quando abres uma maça a meio, de que cor é ela por dentro?”

Joseph Goldstein